20/06/2013

PROTESTOS? MANIFESTAÇÕES? O QUE HÁ DE ERRADO NO BRASIL?



            Primeiro foram os protestos pelos aumentos excessivos no custo do transporte coletivo e a mídia tentou ridicularizar o movimento alegando que era muito estardalhaço só por 20 centavos. Depois foi a enorme vaia para a Dilma e outros políticos no estádio Mané Garrincha e, novamente tentaram descaracterizar o movimento dizendo que era apenas uma reação da classe média que chorava de barriga cheia.
            Ora, seja pobre, miserável ou classe média somos todos cidadãos brasileiros e temos o mesmo direito e o mesmo dever em protestar diante do descaso da classe política com a população. Aqueles que apontam o dedo tentando deslegitimar o movimento querem segregar. É a velha história: dividir para conquistar. Pois eu conclamo a todos os cidadãos que não se deixem levar por esses discursos e exerçam os seus direitos.
            Por que vamos às ruas? Bem, essa questão tem muitas respostas e é por isso que alguns espertalhões criticam a falta de "unidade" do movimento, mas é justamente essa "falta de unidade" que expressa o descontentamento geral. O povo não está descontente apenas com o preço de uma passagem de ônibus, como a mídia insiste em afirmar, mas com toda uma conjuntura política de corrupção e oportunismo. Tenta-se calar a boca do povo com migalhas, isso pode funcionar por um tempo, mas não eternamente.
            Só para falar de alguns problemas, não há infraestrutura pública, como a de transportes, por exemplo. O transporte de cargas no Brasil custa até três vezes mais do que nos EUA ou na Europa, onerando toda a cadeia produtiva. Por quê? Porque no Brasil quase a totalidade deste transporte é rodoviário. O transporte feito quase exclusivamente por caminhões sobrecarrega o trânsito, aumenta a poluição e contribui para o número de acidentes em rodovias. Quem lucra com isso? Para citar apenas um exemplo: as concessionárias de pedágio!
            Em nome de uma pretensa conservação das rodovias as concessionárias cobram quantias exorbitantes, fazendo que o custo do transporte seja duplicado. Nas rodovias do Paraná, um automóvel sem reboque paga até R$ 0,16 por quilômetro, se for um caminhão esse valor é multiplicado pela quantidade de eixos. Tudo isso é mais odioso ainda, quando lembramos que durante anos o governo cobrou a CIDE, um imposto embutido no preço dos combustíveis e que supostamente era para a manutenção destas mesmas rodovias. Enquanto se investe mais de 28 bilhões de reais em estádios de futebol, o governo federal alega que não há recursos para a construção de alternativas ao transporte rodoviário.
            O transporte coletivo é um caos. Os ônibus estão sempre lotados e nunca chegam no horário devido aos enormes engarrafamentos no trânsito que, diga-se de passagem, piorou muito com os incentivos governamentais (redução de IPI) para a venda de automóveis sem que se investisse na infraestrutura. Dos 5565 municípios brasileiros apenas cinco contam com metrô e, ainda assim, muito precário e insuficiente para o volume de trabalhadores que se deslocam diariamente nessas cidades. 
           Apenas para efeito de comparação o metrô de São Paulo conta com 74,3 km de extensão para atender uma população de 11,3 milhões de habitantes, enquanto que numa cidade como Paris que tem pouco mais de 2,2 milhões de habitantes a extensão do metrô é de 212 km. Da mesma forma, em São Paulo o custo do bilhete do metrô, que volta a ser três reais após os protestos, faz com que o custo do transporte de um trabalhador custe cerca de 180 reais por mês o que dá quase 25% do salário mínimo que é de R$ 678,00. Em Paris um trabalhador gasta os mesmos 180 reais por mês com o transporte, mas lá o salário mínimo é mais de quatro mil reais (1430,22 euros), ou seja, lá o transporte não custa nem 5% do seu salário. Antes que me critiquem, eu reconheço que há muitas outras diferenças entre o Brasil e qualquer país europeu, mas com toda a certeza, aqui poderia ser muito melhor do que é.
            No ranking da educação (Pearson) o Brasil ficou em penúltimo lugar na comparação com 40 países, ficando à frente apenas da Indonésia. Países como México, Argentina e Chile se saíram bem melhor. Ao mesmo tempo, o Brasil é um dos recordistas em corrupção que chega a custar R$ 82 bilhões por ano aos cofres públicos. São 2,3% do PIB brasileiro que fariam enorme diferença se investidos na educação. Isto quer dizer que cada um dos 79 milhões de trabalhadores brasileiros é roubado em mais de 1000 reais por ano para sustentar os corruptos.
            Quais seriam os motivos para tanta corrupção no Brasil? Principalmente a impunidade dos crimes de desvios de verbas na administração pública e o excesso de cargos em comissão, com cerca de 90 000 pessoas recebendo enormes quantias do governo para defenderem interesses de partidos políticos. Em países como a Grã-Bretanha, o número de comissionados não passa de 300 e a corrupção também é muito menor.
            A saúde pública está péssima. Todos os dias morrem pessoas na fila dos hospitais aguardando o atendimento, quando não são vítimas de profissionais mal preparados que ministram medicamentos errados e até injetam sopa na corrente sanguínea dos pacientes. Os 150 dias que todo brasileiro trabalha por ano só para pagar impostos não são suficientes para garantir o mínimo de qualidade nos serviços públicos.
            Adquirir produtos e serviços no Brasil é extremamente mais caro do que nos EUA ou Europa. Um automóvel fabricado e vendido aqui no Brasil custa duas vezes mais do que no México, por exemplo. O motivo disso não é somente a carga tributária, mas porque aqui os fabricantes lucram cerca de três vezes mais do que nos outros países e o governo não mexe uma unha para exigir um preço mais justo.
            Outro absurdo é o lucro exorbitante dos bancos e financeiras em cima de financiamentos. No Brasil, o financiamento de um automóvel pode custar mais de 25% ao ano enquanto que em outros países a média fica entre 4% e 8%. Em suma, para adquirir um automóvel o povo brasileiro que recebe um salário mínimo seis vezes menor, paga quatro ou cinco vezes mais que um europeu. Na França, um Fiat Panda que é equivalente ao Fiat Uno brasileiro, custa cerca de 10 mil euros (30 mil reais) e se levarmos em conta o salário de lá, um trabalhador paga menos de sete salários mínimos pelo automóvel. Aqui no Brasil, o Fiat Uno custa mais de 24 mil, ou seja, um trabalhador paga 35 salários mínimos para comprar um carro popular à vista e se for financiado custará o dobro disso.
            Diante desse quadro e de tantas outras injustiças e desigualdades sociais, os políticos brasileiros recebem os maiores salários do mundo. Assim, fazendo mais uma comparação, enquanto um deputado na França ganha cerca de R$ 21 mil (7,1 mil euros), no Brasil um deputado federal ganha R$ 26,7 mil, o que dá 27% a mais, mas se considerarmos que aqui o salário mínimo do trabalhador é R$ 678,00 e lá são R$ 4 225,64, vemos que os políticos franceses ganham cinco salários mínimos enquanto que aqui eles ganham quase 40 salários mínimos. Em outros países como Espanha e Argentina os salários são bem menores: 11,1 mil e 14,6 mil, respectivamente.
            Como se não bastasse tudo isso, vemos que o governo não procura soluções para esses problemas, quando faz alguma coisa são apenas ações paliativas que não resolvem o problema e no máximo dão uma falsa sensação de bem estar.
            Quer mais um exemplo de descaso? Pois bem, quando se iniciaram os protestos a primeira atitude de Dilma foi viajar para São Paulo e se reunir com Lula e os marqueteiros do PT. Alguém ainda tem dúvida de quais são as prioridades desse governo? Se houvesse de fato uma preocupação em atender as reivindicações ela teria convocado uma reunião com seus ministros, com os governadores e até com os prefeitos, mas não, ela foi pedir conselhos a marqueteiros, pensando apenas nas eleições de 2014!

15/04/2012

Em Breve...

Queremos compartilhar novas questões do ENEM e de vestibulares, além de algumas dicas de atividades experimentais em química, mas no momento estamos bem atarefados por isso ainda não foi possível. No entanto, o material já está sendo selecionado para ser postado em breve.
Obrigado

09/11/2010

Enem suspenso

Segundo notícias divulgadas pela imprensa o Enem está suspenso, aguardando maiores análises, devido a problemas nos cadernos de provas.

"A Justiça Federal, a pedido do Ministério Público Federal (MPF) no Ceará, determinou em liminar a suspensão do Exame Nacional do Ensino Médio 2010 (Enem) em todo o País. Segundo a juíza Carla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal do Ceará, o erro de impressão das provas - que invertia questões entre o cabeçalho de Ciência e Natureza e de Ciências Humanas - prejudicou os candidatos.
De acordo com a juíza, a disponibilização de requerimento aos estudantes que se sentiram prejudicados pela prova do caderno amarelo e a intenção de realizar novas provas para os que reclamarem não resolve o problema, já que as novas provas colocariam em desigualdade os candidatos. O procurador da República Oscar Costa Filho diz em comunicado do MPF que a decisão traz segurança e estabilidade aos estudantes."

Somados aos problemas ocorridos no ano passado o Enem perde credibilidade. Resta saber o que será feito para corrigir o problemas, já que os estudantes não podem sair prejudicados por esses erros. Em caso de nova prova, como ficam a universidades que irão utilizar a nota do Enem em seu processo seletivo?

15/10/2010

Conversores Catalíticos reduzem a emissão de monóxido de carbono

(Questão de vestibular da UNESP-SP)

O monóxido de carbono é um dos poluentes gasosos gerados pelo funcionamento de motores a gasolina. Segundo relatório recente da CETESB sobre a qualidade do ar no Estado de São Paulo, nos últimos vintes anos houve uma redução no nível de emissão deste gás de 33,0 g para 0,34 g por quilômetro rodado. Um dos principais fatores que contribuiu para a diminuição da poluição por monóxido de carbono foi a obrigatoriedade de produção de carros equipados com conversores catalíticos. Responda por que o monóxido de carbono deve ser eliminado e explique quimicamente como atua o conversor catalítico nesse processo.

RESPOSTA:

A queima completa dos hidrocarbonetos (CnH2n+2) presentes na gasolina produz dióxido de carbono (CO2) e vapor de água (H2O). O dióxido de carbono produzido na combustão, apesar de ser um dos principais causadores do efeito estufa não é um gás tóxico, porém, quando a quantidade de oxigênio é insuficiente para a combustão completa, algo que ocorre com freqüência nos motores dos automóveis, há formação do monóxido de carbono (CO).

O monóxido de carbono é um gás tóxico, porque quando é absorvido nos pulmões ele se liga à hemoglobina do sangue, exatamente onde deveriam se ligar as moléculas de oxigênio. Essa ligação do monóxido de carbono com a hemoglobina forma a carbóxi-hemoglobina que é quimicamente muito estável e impede que a hemoglobina transporte o oxigênio para as células do organismo.

A deficiência em oxigênio pode provocar dores de cabeça, náuseas, vômito e levar à morte quando cerca de 70 % da hemoglobina é comprometida, algo que pode ser atingido rapidamente com uma concentração de aproximadamente 1500 ppm de monóxido de carbono no ambiente.

O conversor catalítico utilizado nos automóveis, popularmente conhecido como catalisador, assemelha-se a uma colméia, construída de materiais cerâmicos e metais como paládio, ródio e molibdênio. Este sistema é protegido por uma carcaça metálica e é fixado na saída dos gases do escapamento, onde tem a função de facilitar a transformação de gases tóxicos (CO, NOx, etc.) em gases inertes.


Os metais presentes no conversor catalítico é que, de fato, são os catalisadores, que abaixam a energia de ativação das moléculas facilitando a sua reação com o oxigênio do ar. No caso do monóxido de carbono, a sua reação com oxigênio o converte em dióxido de carbono (CO2).

CO(g) + ½ O2(g) --> CO2(g)

A questão acima, foca na emissão de monóxido de carbono pelos motores a combustão, no entanto, há muitas outras fontes que devem ser consideradas, entre elas os fornos industriais, aquecedores domésticos a gás, e os cigarros, que podem não levar à morte, mas causam um envenenamento crônico que altera as faculdades mentais, dificultando a concentração, a memória e o raciocínio em atividades intelectuais.


Saiba mais: Como funcionam os catalisadores automotivos.

09/10/2010

A História dos Cubeiros e dos Tigreiros

Hoje foi um dia espetacular. Participei do curso do mestre Chassot sobre a História e Filosofia das Ciências e, posso dizer que fiquei encantado com as curiosidades sobre fatos históricos e como eles afetam a nossa visão da ciência. Tudo isso numa linguagem envolvente, aqui e ali pontuada de muito bom humor.

O curso teve duração de duas tardes, sendo hoje a segunda e última parte do curso. Infelizmente, porque adoraria passar mais algumas tardes tão ricas e agradáveis quando foram estas.

Mas o que quero comentar aqui não é sobre o curso em si, sobre o qual eu não saberia descrevê-lo em poucas palavras, dada a vasta riqueza de detalhes e análises discorridas por nosso mestre, tampouco saberia fazê-lo com a mesma beleza e clareza, pelas quais nós nos encantamos. Para tal, eu aconselho a leitura de suas obras, indicadas no Blog do Mestre Chassot e, para quem tiver a oportunidade, ouvi-lo em algum de seus inúmeros cursos pelo país afora.

Pois bem, a história da qual quero comentar é sobre os cubeiros. Vou tentar me fazer entender.

Durante a sua explanação, o mestre Chassot gosta de interagir e perguntar se as palavras menos conhecidas estão sendo compreendidas pelo seu público. Então, após ter afirmado que eu conhecia algumas daquelas palavras pouco usuais, ele, bem humorado, passou a me desafiar com as outras palavras que surgiam e, é claro, apareceu uma que eu por mais que tentasse não consegui encontrar o seu significado.

A palavra é cubeiro, da qual, salvo algum lapso de memória, jamais ouvi falar. Cheguei a pensar semanticamente em cubas, como espécie de bacias, tigelas ou aquários, alguma coisa do gênero, mas o que seria um cubeiro isso eu não consegui imaginar.

O mestre Chassot, feliz por ter me apanhado nessa, explicou-nos que cubeiro se referia a uma profissão que existia na época em que as casas não tinham fossas sépticas nem água encanada. Nessa época, as latrinas tinham um recipiente de capacidade de mais ou menos vinte litros que coletava os dejetos que eram descartados em algum rio próximo e, era o cubeiro que passava nas casas coletando esse material nada precioso.

Depois disso, induzido pelos comentários de nosso mestre, fiquei imaginando como seria a tal profissão, conviver dia-a-dia com dejetos mal-cheirosos, potencialmente patogênicos e, provavelmente sem usar luvas e equipamentos de proteção. Sem falar no preconceito da sociedade para com essas profissões ingratas. Como será que seria chegar a um baile, nessa época, e se apresentar como cubeiro?

Lembrei-me de outra história semelhante, desempenhada pelos escravos em algumas capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, Salvador e Recife, que tinham a sina de ir todas as manhãs despejarem ao mar os dejetos mal-cheirosos de seus senhores.

Conta-se que os Tigreiros, como eram chamados esses escravos, desfilavam pelas ruas da cidade, em meio a vísceras de animais e restos de vegetais em estado de putrefação, espalhados por todo lado, carregando as barricas na cabeça. Conforme se locomoviam, o conteúdo ia respingando sobre os ombros e as costas dos infelizes, o que provocava manchas na pele semelhantes às de um tigre, daí o apelido de Tigreiros.

Nessa época, em algumas cidades, todo o lixo doméstico e até mesmo os penicos eram despejados do alto dos sobrados diretamente sobre a rua, muitas vezes acertando a cabeça dos transeuntes e tornando-a uma verdadeira fonte de doenças como varíola, disenterias, febres e tantas outras.

Apenas no final do século XIX que médicos e autoridades passaram a se preocupar com a onda de doenças e começaram aplicar leis para disciplinar a coleta e o destino dos dejetos.

Bem, seguindo o conselho do mestre Chassot, que disse que devemos ser sempre curiosos, vou deixar o resto da história para quem quiser pesquisar e descobrir o que se fez, ou se deixou de fazer, até os dias de hoje sobre a questão do saneamento do Brasil e, mais uma vez recomendar os livros do mestre.


Para saber mais:


Blog do mestre Chassot
Cuidado com o Tigre!

01/02/2010

Incrições com a nota do Enem encerram nesta quarta-feira

Estudantes de todo o Brasil que realizaram as provas do Enem em 2009, têm até esta quarta-feira para se inscreverem em universidades públicas ou particulares utilizando a nota do Enem.

A inscrição deve ser feita no site do INEP (veja link abaixo), onde também há uma lista de universidades disponíveis. O estudante pode se increver em até cinco instituições e mudar a sua escolha caso a sua classificação seja muito baixa.

Clique aqui para acessar a página do INEP.